No dedo médio da minha infância residia o futuro.
Numa previsão autêntica ,quimérica,avassaladora,
Os dias premeditados eram um acumular de cismas e de sismos.
As mulheres desfilavam nos meus olhos pequenos de existir,
eram personagens de um tempo muito certo,
fazedoras de segundos carnudos,
alimentando, cozendo, vestindo a rua e a paisagem.
Eram estas mulheres que depois -anos mais tarde- reconheci fracturadas,
parcialmente cobertas de névoa,
de desejos tenros e subterrâneos,
de coxas moles,pesadas,
de um secretismo -mesmo assim- esvoaçante.
Nesse tempo vieram homens,
Pelotões de seres,
magos,cantores,abusadores,
alguns poetas.
Eram caixas de Pandora desnudas
-o mistério estava gasto-
A felinidade encaixada numa tela de 23 polegadas
estendida num corpo,
como se aquele corpo fosse serventia.
20.2.19
9.9.17
Talvez a raiz resista!- dizias.
Era uma raiz morta por dentro,
bastava pressenti-la.
A tua insistência, porém, comovia-me.
e abominava-me.
A casa cheia de poeira,
terra,
plantas anónimas,
árvores inseguras.
terra,
plantas anónimas,
árvores inseguras.
Do cosmos nem nadas,nem nesgas.
Nem sequer a sede.
Nem sequer a sede.
A nossa casa.
Eu, persistente, amando-te.
Amando o amor.
Particularmente o que dele se desprendia da terra para ser pássaro.
Particularmente o que dele se desprendia da terra para ser pássaro.
Seguravas esses pequenos troncos interiores e inúteis.
Eu segurava a possibilidade de ascensão,
desfazendo tudo.
Uma luz pequenina abrigava-te do nosso naufrágio.
Seria o mar o lugar marcado. O nosso lugar de morrer.
A quimera incalculável do teu extraordinário saber
(tanta sabedoria -também ela- inútil)
procurando nos germes a germinação,
húmus dos nossos corpos primários,
bailando.
Amava-te muito,
mas os pés estavam frios num caixão sem tempo, nem espaço.
Fechaste a persiana e espalhaste os livros pelo chão da sala.
- Quero salvar-nos!-
O jogo era abrir páginas ao acaso e fazer delas profecia.
As páginas tão erradas, meu amor.
A raiz cada vez mais morta, o amor cada vez mais vivo.
Embora nunca mais
-nem por intervenção literária-
beijasse a candura da tua liberdade.
Abandonámos depressa esse jogo perverso.
A literatura, caso exemplar, assinara um veredicto
que recusavas aceitar.
Abre este livro. É a última vez!- pediste.
"As experiências fazem-se em casa." (Alexandre O'Neill)
Fecho o livro. Fechas a porta.
Há caroços em vez de estrelas.
Comeram a noite, meu amor.
Já não somos luar.
Seria o mar o lugar marcado. O nosso lugar de morrer.
A quimera incalculável do teu extraordinário saber
(tanta sabedoria -também ela- inútil)
procurando nos germes a germinação,
húmus dos nossos corpos primários,
bailando.
Amava-te muito,
mas os pés estavam frios num caixão sem tempo, nem espaço.
Fechaste a persiana e espalhaste os livros pelo chão da sala.
- Quero salvar-nos!-
O jogo era abrir páginas ao acaso e fazer delas profecia.
As páginas tão erradas, meu amor.
A raiz cada vez mais morta, o amor cada vez mais vivo.
Embora nunca mais
-nem por intervenção literária-
beijasse a candura da tua liberdade.
Abandonámos depressa esse jogo perverso.
A literatura, caso exemplar, assinara um veredicto
que recusavas aceitar.
Abre este livro. É a última vez!- pediste.
"As experiências fazem-se em casa." (Alexandre O'Neill)
Fecho o livro. Fechas a porta.
Há caroços em vez de estrelas.
Comeram a noite, meu amor.
Já não somos luar.
10.11.15
Peter Pan
Inaugural suspiro, o primeiro!
No entanto,
um flagelo no lugar da pedra mãe.
Vamos juntos.
Embora mais juntos.
Embora mais separados.
Buscando os inéditos na tua voz,
Reflectindo –EU- TU-incisivamente sobre o teu espaço de
acção
(passamos tanto tempo a pensar em ti)
Dizer-te então que não é a pele suave da minha perna
-nunca foi-
mas a pele suave da eternidade,
Ânsia das bênçãos,
Ansiedade de estar
ou o mero eco dos abençoados na primeira noite de rock do
mundo.
Creio na criação.
Ato de criar.
Criar o espaço próprio de um amor único.
Porém,
a chuva quente inunda os ossos até ao tutano, diariamente,
e com ela, o amor inunda-se.
E –sabemos- só a criação cria amor e o amor cria a criação.
Há uma espécie de dor ambígua neste vislumbre nocturno,
um corvo vesgo e belo,
um menino trôpego e valente,
uma mão dilacerada e esvoaçante.
A quimera alimenta-se dos despojos
Como se de laranjas de ouro – as sumarentas!- se tratassem.
É ingénua, fatídica, persistente, luminosa.
Pirilampo combalido no reflexo do teu plexo solar.
(Esta será para
sempre a melhor metáfora do teu retrato)
Voyeur, poética, patética menina.
Segura a crina do meu livro interior para que seja
manifesto,
Segura a dormência da minha cabeça milenar,
Segura o inseguro formato humano do meu poema.
Humaniza.
Humaniza-te.
Humaniza-me.
Tens medo?
Tens fome?
O que guardas?
Onde te escondes?
Por onde te escapas?
OU:
Tenho medo?
Tenho fome?
O que guardo?
Por onde me escondo?
Uma análise feita à superfície da matéria que somos,
revelaria, indubitavelmente, pontos extremos:
Polaridade de seres existencialistas.
Questões do profundo comuns.
Léxico dos silêncios compatível.
Dificuldade na gestão prática dos afetos.
Mundanidade imperfeita, dir-se-ia, inadaptada.
Currículo rico de experiências excêntricas.
Olhares vagarosos, deliciosos de deleite por películas de
filmes inexistentes.
Tu, mais severo, concreto, saltando baixinho,
(O teu esforço é intenso, mas concentrado)
Eu, espectro dilatado,
em saltos tolos e ambiciosos.
Leva-me a linha do desejo transgressora,
porque me encanta a essência da última camada do universo.
O poema, a poesia,
qualquer coisa de muito perfeito e singular é teu em mim,
Mas há erva ruidosa, feras e um combate,
espalhados no itinerário dos nossos desencontros.
Se voltares esta noite,
Nunca mais seremos a primeira noite no planeta rouge do teu
sofá
(essa órbita tão cheia de esperança que impulsionava os nossos
passos)
Mas lerei o poema, o teu poema,
para que o sono não seja mito
E possas, finalmente, ver (-me).
16.9.14
AmarAmara
Ela
estava
à
distância
do respirar.
Coisa intimamente próxima, encantadora!
estava
à
distância
do respirar.
Coisa intimamente próxima, encantadora!
Corpos atentos considerariam esta circunstância o sinónimo absoluto da nudez.
De tão próxima, dir-se-ia imaterial.
Respiração apenas. Respiração apenas.
No princípio estava o RESPIRAR.
De tão próxima, dir-se-ia imaterial.
Respiração apenas. Respiração apenas.
No princípio estava o RESPIRAR.
Ela,
invocando a inútil tenacidade de quem tem furacões no sono,
rasgava a montanha do livro para uma composição magnifica e insignificante.
invocando a inútil tenacidade de quem tem furacões no sono,
rasgava a montanha do livro para uma composição magnifica e insignificante.
Os dias a rodo.
Os dias a rodo.
Os dias a rodo.
O corpo pequeno agigantando a janela de paisagens espirituais,
invocando a doçura do corpo velho de Chagall
ou seres que em nada ou em tudo eram as personagens certas para o sentimento de si.
invocando a doçura do corpo velho de Chagall
ou seres que em nada ou em tudo eram as personagens certas para o sentimento de si.
Segurava cada brilho feroz dos seus dedos- como magia!
Ela haveria de construir rugas nas árvores antecipando-lhes uma meninice tardia
ou escorregar pelo diário de Al Berto e sentir-se nele. ´
Ser ele.
Seres. Eles. Os dois. Apenas um.
Ela haveria de construir rugas nas árvores antecipando-lhes uma meninice tardia
ou escorregar pelo diário de Al Berto e sentir-se nele. ´
Ser ele.
Seres. Eles. Os dois. Apenas um.
Ela dançava com os mil dedos da mão e o mundo era um piano assombroso,
peças que se teciam em demasiados cenários.
Ela faria um livro expirando essas visões e do livro rasgado faria outro e depois outro e outro e outro,
redutos máximos de um acto contínuo
(Vive assombrada pelo deslumbramento!)
peças que se teciam em demasiados cenários.
Ela faria um livro expirando essas visões e do livro rasgado faria outro e depois outro e outro e outro,
redutos máximos de um acto contínuo
(Vive assombrada pelo deslumbramento!)
Ao adormecer ela voltava a acordar!
Uma fascinante desordem de pessoas inapropriadas ao embalo, abriam os rios como risos e levavam-na a passear muito longe.
As perguntas eram sempre diferentes e difusas:
- Posso contar os batimentos do teu coração a bater no chão?
- De que é feito o azul dos teus olhos castanhos?
- Como recortas em intensa beleza o que antes fragmentara em suicídio?
Ela permanecia de olhos fechados que é a melhor maneira - diz-se - de ver tudo
e de ver tudo MUITO MELHOR!
(poeticamente falando, entenda-se)
Uma fascinante desordem de pessoas inapropriadas ao embalo, abriam os rios como risos e levavam-na a passear muito longe.
As perguntas eram sempre diferentes e difusas:
- Posso contar os batimentos do teu coração a bater no chão?
- De que é feito o azul dos teus olhos castanhos?
- Como recortas em intensa beleza o que antes fragmentara em suicídio?
Ela permanecia de olhos fechados que é a melhor maneira - diz-se - de ver tudo
e de ver tudo MUITO MELHOR!
(poeticamente falando, entenda-se)
Uma música -uma música apenas!- poderia entorpecer a cativante angústia de se ver intensa num aquário de pássaros.
A casa muito cheia era uma pista de sons e de vôos.
Os familiares que se acercavam da sua intensidade eram como alicerces que pululavam as suas antíteses, amando-as.
Projectos, projecções, próximos, próximos...como o sangue.
A casa muito cheia era uma pista de sons e de vôos.
Os familiares que se acercavam da sua intensidade eram como alicerces que pululavam as suas antíteses, amando-as.
Projectos, projecções, próximos, próximos...como o sangue.
Ela insistia em colorir o rosto,
fumar incenso,
repetir Lhasa.
fumar incenso,
repetir Lhasa.
Ela voltaria a cantar com a voz do avô,
a sentir com os pincéis de Picasso,
a fazer da parede caderno
e do caderno vertigem.
a sentir com os pincéis de Picasso,
a fazer da parede caderno
e do caderno vertigem.
Ela.
Ela.
Ela.
Ela.
Ela.
"O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida quotidiana." Augusto Boal
Se puderes, solta a mão que te agarra ao coração.
Observa-o a crescer, longínquo, como a sede de alguém que conheces tão bem que só a liberdade pode ainda acrescentar surpresas.
Observa-o a crescer, longínquo, como a sede de alguém que conheces tão bem que só a liberdade pode ainda acrescentar surpresas.
Não desanimes com o óbvio dos seus olhos ávidos,
a ferocidade da suas breves paixões
a ferocidade da suas breves paixões
- posteriormente-
os solavancos tristes depositados inteiros nos teus ombros,
no teu peito,
no teu limbo.
Tão dócil, o selvagem, encaracolado em ti
(frágil planta de lua cabisbaixa, menino sem hino, nem pátria)!
Se te for possível, deixa que voe para além de ti.
Sonhaste que fosse pássaro, cavalo ou peixe,
- qualquer espécie que não tivesse o cárcere cerebral encerrado em si-
respira-lhe o desígnio e deixa que te fascine em carícias
porque é breve o riso e longa a espera.
Sonhaste que fosse pássaro, cavalo ou peixe,
- qualquer espécie que não tivesse o cárcere cerebral encerrado em si-
respira-lhe o desígnio e deixa que te fascine em carícias
porque é breve o riso e longa a espera.
O menino cresceu rasgando linha de caderno,
de mãos,
de roupa apertada porque costurada mil números acima do que desejara.
de mãos,
de roupa apertada porque costurada mil números acima do que desejara.
Sem desejo é como ter sol escancarado e não ter mar para amaciá-lo.
Não vale.
Tarda.
Tarde.
É tarde.
3.9.14
24.12.13
AL_Tacuba 12/12 Kronos Quartet
Solstício invertido.
Parte 1, livro primeiro, tabula rasa e tudo cheio na sala de mim.
O copo cheio invoca um certo sentido poético,
embora só haja vinho azedo sob a mesa
(é para o gato)
Quanto a mim, tenho sede.
Por ora, apetecem-me rusgas e incêndios,
coisas de banalizar os santos,
redimir unhas roídas, achaques, promessas,etc, etc...
PAUSA.
Chega este ímpeto e as estantes inteiras, íntegras, incendeiam-se...desintegrando-se em amadas formas.
(Será da tempestade? Serei uma tempestade?)
Não vendo no meu sentir uma clarividência apaziguadora,
Marguerite Duras junta-se ao meu corpo e escreve-lhe por cima:
"Thérèse sou eu. Aquela que tortura o delator sou eu.
E sou aquela que quer fazer amor com Ter, o miliciano.
Eu.
Dou-vos aquele que tortura com o resto dos textos.
Aprendam a ler:´
são textos sagrados."
(Ninguém está habituado a amar uma fora da lei)
Por isso, compreendera:
a angústia não nascia de ti para mim,
era eu que provocava a demência,
amordaçada num estilo antigo e minguante de escrever amor.
Percebi que os poemas, se repetidos até à exaustão, tornam-se glóbulos essenciais,
dão riqueza ao sangue, como o ouro dá aos dentes dos exilados,
mas, no reduto, são dependências que fragilizam vôos e paraísos.
Assim, arquitecto um plano já escrito noutros corpos:
"eu estava prestes a levantar voo da prisão da minha imaginação, mas ele
leva-me para o seu quarto e aí vivemos um sonho, não uma realidade." Anais Nin
E deixo ao corpo o corpo,
o baile, a merenda seca na relva.
Enquanto ao longe o gato bebe o vinho e, pela primeira vez,
morre.
23.8.13
POSSESSED II_para não bailar
Falar-te deste deserto que foi capotar a alma,
seria levar-te a uma ruína antiga onde arde em chamas um anjo sideral.
O momento - já que tão insistentemente mo pedes-
é este e chama-se corpo com dor
(ou uma dor com um corpo dentro)
Vislumbrando a cratera e não a lua,
talvez chorássemos os dois, extremamente meninos,
inseguros de nós próprios no futuro -este- que a vida preparou com um requinte perverso.
A poesia não seria feliz, embora desarmante de tamanha sinceridade.
Só por isso -apenas isso- valeria amar esse poema com unhas e dentes,
sobreviventes sôfregos do desejo de utopia.
perdi o incenso,
a casa cheira a ranço velho.
sei que te enoja a imagem desta feiura.
sabes como odeio asas sujas, fracas para voar.
Tenho o fígado enfiado em pó de estrelas moribundas,
daí a fraca convalescença,
diz-me o pedalar de um velho fula que apesar dos olhos cegos de doença,
olha-me profundamente.
O cão -também doente- sangra,
bastaria um comprimido pequeno, barato,
para curar todos os cães do mundo.
Bastaria um cão curado para valer a pena padecer tão violentamente.
Porém nada,
apenas uma cintura estreita a alargar o oceano,
uma distância que me retira do acto de viver em transe,
um pão vazio e esta ala de ausências.
15.7.13
Se porventura amávamos o mesmo sabor a rum,
o rum -que era o mesmo, importa sublinhar- sabia diferente a cada um.
Por isso, o amor é uma semente rebelde (disseram-me ser também uma oportunidade),
embora nauseabunda, fascinante, viral,
de inconstante germinação.
Quando te segurei o sorriso (desde sempre pesado como uma pedra frustrada)
jurara transportar-te triunfalmente para o lado solar.
Para atravessares o caminho isento de perigos,
consertei-o com matérias que eram intensamente eu:
os meus segredos, as minhas ansiedades, os meus feitos heróicos depositados na palma da tua mão.
Apetecia-me devorar-te os lábios como quem finalmente adquire um corpo inteiro!
Dirigida pelo furor avançava,
comprei uma praia no Alentejo,
revelei-te do poeta, da utopia, do vinho forte,
mas essa fome passou e o corpo que era júbilo emagreceu de vontades.
Da lista de peripécias que foi desconstruir-nos o fascínio,
algumas valerão o lembrete:
um gato dividido (nossa herança matrimonial),
um apartamento suicida,
um bouquet de flores murchas num papel sem carimbo, nem promessa.
Por isso, a alma fez rock e quebrou a doçura da primeira penugem
para se dedicar a matérias mais ásperas, violentas.
Imperou a distância do óbvio que o fascínio não deixara ver:
tu levitas em ternuras estranhas,
eu sou um espectro a escrever uma carta sem memória.
"Walk in silence
Don't turn away, in silence
Your confusion
My illusion
Worn like a mask of self-hate
Confronts and then dies."
Joy Division
27.5.13
ligações (in) OU afinal falamos todos baixinho e ninguém nos ouve
"A poesia é um gesto eterno", é o nome de um blogue que encontrei mais ou menos ao acaso
Do Júdice e reencontrado com amor:
como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros
como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros
Iremos devagar até esse maravilhoso precipício.
Marcarei a hora certa para que tudo certeiramente falhe.
A emoção da espera acende desejos encobertos,
o tamanho todo do amor (ou do desejo?)
Dirás disto, desperdiçar ponteiros de relógio, pontas de cigarro,
pontes que distam acertivamente as -nossas- impossibilidades.
Se for caso disso, inventarei recursos estilísticos
para moldar essa quimera:
tropicália,
rum amargo,
passaporte para qualquer destino,
surpreendente odor...o teu.
Antes organizarei a viagem com a minúcia do coração:
os teus olhos para rever,
os teus dedos para observar,
o teu corpo franzino de alma para prender...
momentaneamente.
Depois será manhã sem nenhum tipo de sacrilégio
ou talvez sobrevoe por ali uma pena de pássaro
e escorra a tinta certa para te descrever que em mim nada flutua,
tudo o que te parecer superficial, oco, desconectado,
será a minha melhor performance de gato assustado.
Nunca amo tão longe como o poema
-a torrente do poema-
ama-me a partir daqui ou vai.
Tudo o resto é sempre menor.
De qualquer forma vou propor-te esse passeio,
jantaremos por aí, desde que o vinho seja aceitável teremos motivo para continuar,
mais tarde um beijo, um baile e o regresso a casa.
12.2.13
Mito_Benjamim, muita infância e um piano dado a carícias
(imagem que me fascinou, encontrada em http://www.viralagenda.com/pt, transportada como mera ilustração)
Benjamim segurou-me no sonho.
sempre julgou essencial expor-me a transcendências
Eu chamava por Eupalino, o desertor, porque precisava de histórias para adormecer.
os sonhos têm rugas - disse-lhe -
tenho-os velhos, pouco seguros,
talvez quebrem, Benjamim...
Benjamim disse-me que os sonhos são enormes como torres altas de navios muito transparentes, frequentemente circulares,
confesso que me custou imaginar os seus ditos e feitos sem retorquir plausíveis realidades
plausíveis
plausíveis
plausíveis
COMO OS CANSAÇOS DE ONTEM, DE HOJE, AMONTOADOS.
Os sonhos?
-tocou num desfile de teclas muito harmónicas-
têm a leveza de coisas extremamente belas, frágeis, incomparáveis!
Todos, todos, todos!
- evitando radicalmente os condenados a humanas excepções-
flutuam ao redor de cada partícula,
preenchem ecos, corpos , vasilhas e frascos vazios de compota doce.
eu chamava por Eupalino porque precisava de sonhos para acordar.
O dia tem espinhas de peixe privado de guelras,
por aqui não paira noite nem dia, Benjamim...
como explicar-to sem te ofender a récita?
Tenho carradas de vida a transbordar melancolia!
não me cabe a faca na mão,
o pão está duro, sabe amargo,
encolhe em migalha, entope o segundo!
Eupalino inspirara-me num segredo antigo e grego
- coisa de deuses ou de magos-
a de fundir forma e função numa massa só.
Rapidamente aprendi que a projecção de palavras cortantes,
atraem o escorrer do sangue como um choro longo de birra de menino.
Benjamim enviou um lobo ou tornou-se lobo,
não posso assegurar,
ciente de que a sua função era a de guardar aquele jardim onde costurei toda uma ausência,
julgando que me cativava a jaula florestal da mitologia,
que só por ela transcendia à minha angustia mortal.
Não te enganes com o que queres ver, Benjamim,
fiz amizades neste reino, Benjamim, arranquei os caroços do chão para que floresça um esplêndido desterro,
gosto de mãos sujas e de linhas que terminam em feitos concretos:
pacotes de massa, latas de conserva, livros de poesia.
Resumi tudo a palestras vazias, gravações radiofónicas de dificílima difusão,
Eupalino era o meu noivo principal, mas eu a-Mara muitos homens, muitas mulheres, diversas flores e alguns animais,
uma desordem que implicava bastante desapego a formas materiais, metafísicas, surreais.
Apoio agora o esqueleto numa reluzente carapaça de tartaruga milenar,
Benjamim, recentemente feito chinês, oferecera-ma de presente jurando entregar-me assim o universo.
Eupalino perdeu-se num solilóquio longo como um túnel em nada desfasado das proporções mais certas e introspectivas da solidão.
Embora contrariada, encerrei-o num livro.
A imagem da capa estava triste como um campo de papoilas suspensas.
2.1.13
POSSESSEDDDDPOSSEESESSEDPOOOOOSSSEEEEEESSEDESEDDEEEEEEd (Balanescu Quartet 16:57) OU o primeiro poema do ano
Decreto por virtualidade a necessidade URGENTE de respirar (mos) !
Havemos de ter incêndios -diversos- na pele, nas ranhuras da alma, nos limites dos dentes.
Fracturas delirantes ou farturas -de sabor deveras duvidoso- a lembrar-nos de que a vida é tal e qual uma pequena feira (repetida),
num pequeno largo,
numa pequena rifa a fazer-nos rir de coisas pequenas (as enormes).
Amanhã seremos aparentemente salvos -e cada vez mais sós-
ah, não percam tempo a interpretar a casualidade da alma humana!,
um verso tem a força de um pensamento presente!
(embora persista, arda, fulmine, sangre, transforme)
Na comunidade, como por exemplo essa, onde o Pacheco (ainda) dança doido e tonto como uma estrela demente,
as mulheres amam-se pelo que de belo têm
e o belo é o silêncio...
1ªvolta da dança:
Vá, vamos!.......................................................................................................................
- isso é utopia. isso não é esse tanto. a poesia -se dessa estirpe- que se esfregue com limão, que fique ácida e corroa!
2ª volta da dança:
Cresço em modo gerúndio e imperfeito.
Talvez assim se explique o intuitivo rasgo de viver,
o apelo para a escuta do coração
(do teu também. do teu, essencialmente.)
(do teu também. do teu, essencialmente.)
O verdadeiro dialecto -esse, o que não foi dilacerado-
sobrevive encarcerado, celular, vibrante, sensível.
Sem voltas:
Transtorna (-me) a ordem certa do relógio
-para que se saiba, parti o vidro dessa estatura e fiz dos ponteiros raios que me partam e,
esses, que me iluminem ou devorem-
esses, que me iluminem ou devorem-
Vou procurar o tempo em ti, no outro, além, ali.
Vou rasgar o itinerário todo,
incinerar o umbigo, fortalecer a anterior identidade.
À planta dos meus pés oferecerei cometas,
a profecia certa para danças ou conversas
(dói-me a dor que há-de vir, acende-me a alegria que há-de ser)
O calendário cai como folhas de Outono,
tenho sono,
cesso a paródia,
venham mais cinco ou seis,
se formos muitos podemos rimar a vida com liberdade
e IR...
finalmente.
18.12.12
"HOW TO DISAPPEAR COMPLETELY" - Francesca Woodman
Esfrega o mundo com cuidado,
apanha-lhe os cacos de vidro espalhados pelos olhos.
Giremo-lo juntas - como quem dança -
projectando as fotografias do nosso primeiro encontro:
17/12/12
Sei que morreste antes dos vidros
-no decorrer das quebras-
ou que foi por causa deles
-outrora muito intactos-
que te suicidaste.
...
Ou terá sido a névoa, o susto, a angústia?
Quando organizavas o corpo para as fotografias (minuciosamente)
as escadas eram outras,
tinham (demasiada) alquimia.
Não saberei dizer-te se um mundo simbólico
-esse que compilaste-
seria também um lugar mais feliz,
mais apetrechado ao delírio
ou capacitado para múltiplas possibilidades.
Temos quase sempre ideias sobre tudo e quase sempre não valem chavos
-lamento dizer-to-
faltam-lhes coisas que perderam o seu natural lugar,
falta-lhes coerência no ritmo cardíaco,
falta-lhes lógica na passagem.
(O mundo tem uma boca GRANDE que não sabe beijar.)
Sei tudo de ti -preciso que o saibas.
Sei das tuas intenções, da tua saudade e até do estado da tua saúde.
Sei dos teus vícios -os mais perversos- e da tua ternura -apenas ternura.
Começo a velar-te -sei que é um disparate-
mas não me inibe de te colar em todas as estantes da casa,
- eu sou um edifício com uma arquitectura disponível-
quero recortar-te, compreendes?
Não temas,
hei-de prevenir-te de regressares à génese da dor,
vou alçar os teus pulsos ao movimento primordial,
o teu sangue -se escorrer- vai ser um rio para peixes maravilhosos.
Iremos as duas.
Sem medo.
Sem frio.
E tu, absoluta.
20.11.12
Folhas vermelhas
Talvez -quem sabe!- sairemos nas notícias do dia seguinte
ou disparataremos o corpo em tentativas inúteis de fazer coisas muito belas (as inesquecíveis)!
Podemos também roubar janelas para que entre mais luz nesse cubículo onde refazes palavras-cruzadas
e temos medo que fique demasiado frio ou demasiado calor
(as temperaturas extremas do Herberto ou a nossa incapacidade para realizá-las enquanto plano)
Havemos de voltar a esta paisagem (nem que passem cem anos ou mais!),
eu hei-de repetir-te dos amores que me nutrem:
repito os pormenores até a um cansaço que no seu derradeiro fim suscitarão apenas indiferença,
depois nem fome nem nada,
a temperatura já nem existirá!
(será que a não matéria tem temperatura?)
rasgarei o teu nome e acharás ofensivo!!!diabólico!!!!, vais arder
(eu quero arder contigo)
Explicarei calmamente o que pretendo fazer:
conjugar-te de novos modos que me pareçam surpreendentes!
(e eu terei um palco de luz dentro do peito!)
É inglório o esforço,
não te convences que a beleza é narcísica, precisa de se recriar constantemente.
Nada.
Nada.
Nada.
Derrubo as damas, os cavalos, as torres
(soubera eu jogar xadrez, mudaria a decoração da tua casa)
Quando regressarmos vais pedir-me o resumo destes dias
eu vou querer falar-te de umas folhas muito vermelhas que se distinguiam no verde da paisagem,
mas -óbvio- não vou ter coragem,
direi que está tudo bem,
que amanhã faço uma formação para fazer contas com mais precisão.
Tu vais sorrir paternalmente,
eu vou fazer rabiscos nos olhos que te parecerão sorrisos
(muito dentro dos olhos, porque quem vê olhos não vê corações),
tudo será real outra vez,
gato ou gatos
real ou reais,
todos,
outra vez.
10.11.12
SENHOR ABÍLIO
Tornara-se hábito aquele de circular noite e dia pelas ruas da cidade. Que via os astros por dentro, dizia. Que falava com anjos, dizia. Que bebia leite e devorava enlatados, dizia.
Era forte e tinha uma barriga esplendorosa como um sol. Era belo e terno, por isso quando se passeava – nesse eterno passeio- apetecia falar –lhe de perto, vê-lo de perto. Chamava-se Abílio – Senhor Abílio, senhor Abílio! – e era um gosto vê-lo olhar e dirigir-se devagar como quem tem o compasso do mundo nas pernas e nos músculos que lhe fazem o sorriso.
Não lia nada que o atormentasse, recusava-se a compactuar com o desespero desencantado dos homens e das mulheres, no entanto, planeava bombardear os esgotos do mundo e conseguir assim a primordial, a única, a irreverente e mais eficaz de todas as guerras: Se rebentarmos com os lugares que guardam toda a merda humana –congeminava- damos cabo disto tudo e voltamos a ser coisa nenhuma, partícula de ar (não será aquilo que afinal somos?).
Dito assim pode parecer grosseiro. Não é. O senhor Abílio tem perfil de Bordalo Pinheiro, é rústico, mas autêntico, honesto, transparente. Não tem pudor, por isso o seu léxico tem a cadência do seu pensar, se porventura se chegar a concretizar pensamento desses usuais com princípio, meio e fim.
Não deve nada, paga as contas certas até aos cêntimos, tem hábitos precisos, embora aparentemente disfuncionais. Também não saberei o que subentender por “funcionalidade” e angustia-me, como angustia ao senhor Abílio, a mecanização do existir. Por isso, ligo o aparelhómetro do disfuncionamento e bebo vinho com ele. Embora ele beba água. Ou beba café. Ou beba sumo. O senhor Abílio tem um corpo grande e límpido, como as manhãs cheias de Verão e a ria cabe-lhe bem nas utopias. Essa ria exacta que combina exactamente com o dia de sol descrito e enche tudo de beleza e lonjura.
O senhor Abílio exerce-se por longos ciclos, que cumpre ou sonha cumprir, porque isso também não interessa. Somos quase sempre a verdade do que nos apetece ser. A cada 20 anos renova a sua agenda, os seus gostos, os seus hábitos, menos o de ir caminhando. Esse permanece, dá-lhe vida, como me dá vida a mim vê-lo passear.
Na meninice andou a sonhar o teatro, ser Raul Solnado e provocar o riso. Encher-se de ironias e palavras bíblicas, parecia-lhe um projecto apoteótico! Um espectáculo grande como parece ser este, o da sua vida.
Quando ele se fundir na paisagem, navegar para mais perto dos seus anjos, tenho a certeza de que vamos pernoitar durante muito tempo naquela melancolia persistente que nos faz vislumbrar fantasmas. Porque ele habita paisagens, ruas que se cruzam –não mais do que dez ou vinte- e essas ruas têm o nome dele e. E nós temo-lo a ele, às ruas e ao seu nome dentro de nós, numa geografia que desenha a nossa cidade.
14.9.12
Cara Parede e Lhasa
Um dia disseste-me:
tenho o meu nome esquecido na tua almofada.
Eu gostei da melancolia de encerrares essas letras no domínio dos meus sonhos
e -erradamente- tomei por certo o desígnio.
Depois passaram-se muitas noites e algumas tinham tempestades (fortes como um pássaro que morre)
outras eram apenas noites na contagem e essas,
ENTEDIAVAM-ME.
(queria espasmos no tempo, máquinas para brincar com a pulsação)
Voltava a ler o teu nome e era uma espécie de sorriso ou crença,
como um deus intermitente.
Milhares de festas ocupavam o calendário para disfarçar o que dói,
embora continue a achar que a alegria é uma tatuagem sem retorno,
embora mutável,
embora mutante.
No Verão ardi a última floresta de ti
e nem precisei de vinho,
bastou a combustão das células embriagadas de cansaços e promessas.
A almofada bordou-te e esse é um lamento que se acrescenta ao mar que canta
(desafinado como o coração)
Os mitos ainda te escutam,
eu não.
Eu sou mulher,
tenho carne e ossos e pensamentos vulgares
como este de tentar um poema para adormecer a ansiedade.
tenho o meu nome esquecido na tua almofada.
Eu gostei da melancolia de encerrares essas letras no domínio dos meus sonhos
e -erradamente- tomei por certo o desígnio.
Depois passaram-se muitas noites e algumas tinham tempestades (fortes como um pássaro que morre)
outras eram apenas noites na contagem e essas,
ENTEDIAVAM-ME.
(queria espasmos no tempo, máquinas para brincar com a pulsação)
Voltava a ler o teu nome e era uma espécie de sorriso ou crença,
como um deus intermitente.
Milhares de festas ocupavam o calendário para disfarçar o que dói,
embora continue a achar que a alegria é uma tatuagem sem retorno,
embora mutável,
embora mutante.
No Verão ardi a última floresta de ti
e nem precisei de vinho,
bastou a combustão das células embriagadas de cansaços e promessas.
A almofada bordou-te e esse é um lamento que se acrescenta ao mar que canta
(desafinado como o coração)
Os mitos ainda te escutam,
eu não.
Eu sou mulher,
tenho carne e ossos e pensamentos vulgares
como este de tentar um poema para adormecer a ansiedade.
18.5.12
.
- Tenho um deserto a crescer-me por dentro. -
Ligaste o rádio por cima da minha voz, em tom de protesto!
O "Harvest Moon" rangia nas madeiras do chão,
fazendo do meu estado de alma, soalho conveniente para se deixar tocar.
Precisava que me desses paisagens que aceleram frémitos
e impulsionam poemas nas mãos,
coisas que os intelectuais compilariam em Tratado
-perdendo longas horas a exercitá-lo no interior da sua mente -
tardiamente assinado pelos únicos reais intervenientes.
As pessoas são coisas sós e difíceis de arrumar,
embora eu preferisse facilitar o processo numa tabela quântica
que resumisse em poucos traços a hora exacta da minha morte
(mas as tabelas provocam-me abundante angústia).
Não te compadeças por isto
- isto é pouco!-
lá fora morre gente de frio e de fome,
a monotonia é matéria de alguma disfunção,
como essa de ver pássaros onde só existem pedras
e de padecer de amor por pedras que sonham erosão.
A escolha devia ser múltipla
ou a ânsia devia ser caustica (até se devorar),
de todo o modo fica-me o declínio para a solidão.
Hoje bebo ondas de mar ao entardecer,
talvez te encontre parado,
paredão,
a renascer.
18.3.12
Ode to the sea (you)
Escrevo-te poemas como quem te diz coisas banais:
ontem mataste tudo quando violentamente agrediste o precioso que entre nós havia:
uma cerveja Cristal e dois corpos a cantar.
Como empecilho - sabes tão bem quanto eu! -não consigo viver,
prefiro a a companhia dos mortos e um entardecer.
Bebo para viver
e se falasse espanhol diria-te com mais certeza: vivo para volver!
Não se volta ao que se nos perdeu,
mas essa é uma lei estreita como a seiva de uma árvore mítica ou uma árvore de ouro
(tudo árvores, é um facto):
o tesouro - percebi nos últimos séculos - é estarmos atento e esquecermos a receita.
Vamos fazer novo do velho e quando me dançares como quem escuta
serei outra vez tua,
mesmo que nunca o seja,
sendo-o sempre, sempre, sempre, eterna......
Sou-te leal e para isso basta-nos o cinema....
De resto, hei-de cortar sempre a Avenida Central para passares,
fazer coisas espampanantes como essa de imitares que me morreste apenas para me magoar.
Lá fora está um calor que não gosto,
e então o Palma canta a melodia que hei-de pensar foleira:
Encosta-te a mim
e depois disso hei-de inventar:
veleiros- serão mais de mil!
o mar- tão grande ! (obrigada por me salvares).
Não tenho culpa.
Não tenho medo.
Vou.
Espero encontrar-te.
ontem mataste tudo quando violentamente agrediste o precioso que entre nós havia:
uma cerveja Cristal e dois corpos a cantar.
Como empecilho - sabes tão bem quanto eu! -não consigo viver,
prefiro a a companhia dos mortos e um entardecer.
Bebo para viver
e se falasse espanhol diria-te com mais certeza: vivo para volver!
Não se volta ao que se nos perdeu,
mas essa é uma lei estreita como a seiva de uma árvore mítica ou uma árvore de ouro
(tudo árvores, é um facto):
o tesouro - percebi nos últimos séculos - é estarmos atento e esquecermos a receita.
Vamos fazer novo do velho e quando me dançares como quem escuta
serei outra vez tua,
mesmo que nunca o seja,
sendo-o sempre, sempre, sempre, eterna......
Sou-te leal e para isso basta-nos o cinema....
De resto, hei-de cortar sempre a Avenida Central para passares,
fazer coisas espampanantes como essa de imitares que me morreste apenas para me magoar.
Lá fora está um calor que não gosto,
e então o Palma canta a melodia que hei-de pensar foleira:
Encosta-te a mim
e depois disso hei-de inventar:
veleiros- serão mais de mil!
o mar- tão grande ! (obrigada por me salvares).
Não tenho culpa.
Não tenho medo.
Vou.
Espero encontrar-te.
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